Luto.

Os dois primeiros meses deste ano começaram muito turbulentos, tristes e pesarosos.

Primeiro, a grande tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, onde foram ceifadas centenas vidas e depois ocorrida dia oito, no Clube de Treinamento do Flamengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, em que morreram carbonizados dez jovens atletas; ambas, brutalmente fatais, rápidas para destruírem vidas, sonhos e expectativas.

Por mais que queiramos apresentar palavras de consolo, somente Deus – aos que nele creem – é capaz de suprir e amenizar toda dor e angústia que sentem os familiares de ambas tragédias. É uma tristeza (literalmente) de morte que toma conta e aqui, eu gostaria de desejar força aos que estão sofrendo. Os mais próximos, outrossim, desempenhem-se em prestar total apoio.

Ficam, enfim, meus profundos sentimentos e orações.
Força para todos. Força e fé.

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Eita moleza!

 

Um desejo de nada
Um inconstantismo sem fim
A cabeça dividida
Faz não! Faz sim!

Um tédio insignificante
Para quem não quer ficar sozinho
Uma procrastinação maçante de muitos mimizinhos.
Andar para frente ou para trás

Sei lá! Parece que tanto faz
Mas ao mesmo tempo quero viver sem tempo a perder
Sai então de mim preguiça
Deixa meu sangue correr nas veias
Porque eu sou filho do ressuscitado
Que vive pra valer.

Fernando Mauri

Vontade

Vontade
De escalar as montanhas
De brincar na neve
De fazer pé de moleque
De fazer e comer um bolo cenoura

De conversar com um monte de gente boa
De cantar até o sol raiá
De chorar até soluçar
De rir até me embriagar

De zoar os irmãos sem parar
De fazer molecagem sem sacanagem
De tomar banho no mar
De dançar até os pé se calejar

De ajoelhado rezar
De seguir o caminho sem murmurar
Mas de falar besteira até parar de caminhar
De um praticar um esporte sem nada atrapalhar
De tocar um instrumento pra todos alegrar
De entender que minhas vontades nem sempre vão se realizar.

Fernando Mauri 

Oh, saudade!

O que sinto é saudade
Para muitos coisa de fresco
Para mim, coisa de quem soube viver bem.

O que sinto é saudade
Das pessoas
Das conversas
Das brigas e intrigas.

Dizer que não tem saudade:
É desprezar o passado
É dizer que é só aqui e que resto está tudo acabado.

Mas como dizia um amigo meu
O passado
Tudo que a gente viveu
É pra dar graças a Deus.

Fernando Mauri 

Ansiedade: torne-a sua amiga.

Nem todo mundo entende que ansiedade é algo real e que faz parte da vida de muita gente. Para muitos é frescura, maneira infantil de chamar atenção e etc. Incautos são. Em dois mil de dezesseis precisei ir ao médico por causa de uma crise profunda de ansiedade. A partir de então comecei uma jornada de autoconhecimento e maneiras de estar bem comigo mesmo.

É claro que o que escrevo aqui é fruto de uma experiência pessoal, portanto sei que nem sempre é fácil por em prática os muitos conselhos daqueles que por nós se interessam. Mas vamos la!

A primeira coisa a se fazer é aceitar o fato e não aumentá-lo. Digo isso porque acredito que a ansiedade pode ser a porta de entrada para outros sentimentos piores. É preciso, acima de tudo, ater-se à realidade.

Aceitar o fato quer dizer reconhecer sua fragilidade e não ter vergonha dela, mas sim procurar ajuda e querer superá-la. Querer como escolha, não como sentimento; estes, são tão voláteis que chegam a ser traiçoeiros, por isso é importante decidir-se levantar e querer como escolha, com disciplina e força de vontade.

Num primeiro momento eu precisei de ajuda medicamentosa e fui fiel ao tratamento. Ajudou-me deveras, ajudou a tranquilizar e recuperar o sono e noites bem dormidas, mas conforme orientação médica, parei de tomar os remédios depois de certo tempo. Creio que os remédios são realmente eficientes, o problema – pelo menos pra mim – foi saber a hora de parar. Tornar-se dependente é tão perigoso quanto.

Aprendi a ficar sem os remédios num domingo à noite, quando fui atacado por um flanelinha sob efeito de drogas. Tinha acabado de chegar de um evento religioso com um grupo de amigos e eu precisava entrar no escritório para guardar uns livros e eu disse aos amigos: “Vão na frente que eu vou guardar isso aqui e encontro vocês lá na lanchonete.” Ao sair, a rua estava escura e o flanelinha veio e agarrou-me pelo braço – não quero alongar a publicação com os detalhes da intimidação -,  depois de conseguir soltar-me dele saí correndo, chegando lá os sintomas da primeira crise voltaram com força: rosto formigando, dificuldade ao falar, hiperventilação e contração dos músculos. Foi aí que eu descobri a minha primeira grande aliada: respiração controlada.

Sem os remédios, fui ao banheiro do estabelecimento e lá mesmo precisei me acalmar. Como o fiz? Respirando corretamente. Demorou um pouco, mas foi minha salvação.

Pode ser um pouco chato no começo, mas respirar tranquila e adequadamente ajuda muito. Depois de vinte e três anos de existência, descobri que a minha respiração estava errada. Puxar o ar pelas narinas e soltá-lo devagar pela boca é um santo remédio! Isso porque a respiração profunda é boa para todo o corpo, inclusive na beleza dele. Além de aliviar estresse e ansiedade, ajuda no metabolismo, melhora a qualidade do sono, elimina radicais livres e dá, literalmente, um ar novo em você.

Além disso, no cotidiano, busquei tarefas alternativas para me ajudar a conviver mais tranquilamente com a minha mais nova amiga: ansiedade. Ouvir música, ler alguma coisa, fazer exercícios físicos e cognitivos, tudo isso ajuda muito. Quando eu descobri que poderia usar toda agitação que a ansiedade me proporciona para produzir algo, minha vida melhorou. Tentei buscar uma maneira de descarregá-la nas atividades corriqueiras. Um misto de exercícios (físicos e cognitivos), atividades que eu gosto e pequenas metas me ajudaram muito.

Espero que isso te ajude.

Um pato, a vida e a relatividade.

Depois de muito ouvir falar sobre dar o primeiro passo, cá estou eu tentando dar o primeiro passo pela terceira, quarta, quinta vez. Importante é começar, mas tão importante quanto é perseverar. Mas calma! Mesmo que o ciclo seja quebrado, importa recomeçar. Ontem, antes de dormir, fiquei um bom tempo repetindo: “Amanhã vou acordar cedo, bem e disposto para correr; amanhã vou acordar cedo, bem e disposto para correr…”

Acordei. Preparei meu café, calcei o tênis e fui para o parque. Dia clareando, clima fresco, play list criada e vamos nessa. Chegando lá, vi muita gente fazendo seus exercícios e até aí tudo normal, nenhuma consideração a fazer. Antes, porém, de iniciar a corrida, achei por bem caminhar até a “academia ao ar livre” para fazer meu aquecimento; antes de chegar lá, entretanto, vi um pato nadando pelo lago.

Não tenho a intenção de em tom poético e com beleza romântica escrever, mas aquela cena me causou uma profunda reflexão sobre a beleza da vida e relatividade das coisas. Comecemos pela vida.

Como disse, não quero romantizar tanto o fato, mas a cena do patinho nadando me fez relembrar como a vida é fugaz; de um lugar a outro, uma pequena onda que se desfaz. É que muitas vezes a vida passa sem que percebamos. A correria do dia a dia, as metas a serem atingidas, a agitação da mente ajudam muito a não perceber quanta beleza nos falta. Eu sei que é clichê, mas nem por isso deixa de ser verdadeiro: é lindo poder observar a simplicidade e encontrar aí uma oportunidade para meditar. Minha play list estava tocando freneticamente, mas aquele momento exigiu uma pausa e uma contemplação silenciosa.

Depois, quando alonguei e comecei a correr, pensava como as coisas são diferentes para as pessoas. Para alguém que nasceu e cresceu privado do contato direto e frequente com os animais, a imagem de um pato nadando pode ser diferente àquela que tem o menino da roça. Por isso é tão importante ter empatia; nós não conhecemos a história de vida dos outros e é sempre interessante colocar-se no lugar de alguém antes de emitir algum juízo, e, se possível, emitir juízo nenhum.

Um dia a gente chega lá!

Não posso, não devo e não vou negar que já passei por momentos de extrema radicalidade com as normas e o saber. Lembro-me de umas das frases – para mim – mais impactantes do cinema: com grandes poderes, vem grandes responsabilidades. Homem sábio o Tio Benjamin! A frase me é cara porque é abrangente, pode ser aplicada a grande variedade de ocasiões e fatores. Com certeza eu não fui o único que passei por inflexibilidade ao conhecer a grande extensão das coisas, mas seria muita presunção da minha parte falar por outrem. Quão orgulhoso fui!

E agora, mais do que nunca, faz sentido o “Sei que nada sei” de Sócrates. É que depois de algum tempo percebi que quanto mais se sabe, tanto mais há para saber.

Em determinado momento da minha vida, a minha régua era a régua principal. A minha força e vigor de juventude somavam-se à congruência dos meus ideais. Tudo aquilo que eu aprendia e julgava ser certo e verdadeiro também eu queria que fosse certo e verdadeiro para outras pessoas. E aqui eu vou falar sobre o nível pessoal; esqueça-se, portanto, qualquer instituição que possa ter feito parte da minha vida nesse momento. Pois se eu faço parte de uma instituição e a ela fui associado por livre e espontânea vontade, conhecendo sua doutrina e seus ideais, obviamente preciso adequar-me às suas normas e seguir suas diretrizes. Mas isso é conversa para outra ocasião. E mesmo pensando na subjetividade das coisas eu não quero relativizar tudo que nos cerca, mas sim esclarecer que todas as pessoas têm o seu tempo, fazem as suas escolhas e mais cedo ou mais tarde amadurecerão e exercerão com mais responsabilidade o dever da escolha. Ou não. É a eterna dança da vida, caminhar frequente e ardoroso, busca de saciedade e encontro.

É que eu percebi que não dá pra forçar alguém a pensar igual, pois ao ato de obrigar está associado o ato de ferir a liberdade de alguém. Daí concluí que a variedade é salutar desde que não seja apoio para ignorância. E mesmo que alguém opte por ser ignorante, se não se quer ajuda, o que podemos fazer? Todas as pessoas são livres para defenderem suas convicções.

O processo de saber deve ser levado com humildade. Os que já sabem muito refletem como, na verdade, sabem muito pouco. A questão, outrossim, não é tanto que se sabe, mas sim o tanto que se está disposto a aprender.

A eterna dança da vida tem seu compasso no aprendizado que nem sempre é fácil, mas é sempre necessário; na possibilidade de abrir-se às ideias, mesmo defendendo suas convicções; na certeza de que o aprendizado sempre será constante, mesmo com muitos anos na lida; e que, dentre muitos outros fatores, tem que ser querido, estimado, almejado.