Por que quereis começar por cima? As grandes empresas, Santo Tomás de Aquino e a natação.

O que tantos e tantas puderam, por que não eu? – Santo Agostinho de Hipona

Para início de conversa, gostaria de mostrar a vocês uma imagem que certamente servirá de inspiração e motivação. Trata-se do início de grandes (grandes mesmo) empresas, negócios, empreendimentos. Vejamos:

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Os exemplos da imagem acima tratam-se de empresas, mas eles podem ser associados a todos os âmbitos da vida.

A hodierna sociedade é marcada pela instantaneidade do aqui e agora. As facilidades são incontáveis e a pressa é a grande mestra regente dos grupos sociais. Alguns ditados, de tão clichês são quase insuportáveis, mas temos que concordar com o antigo bordão: “a pressa é inimiga da perfeição”.

Santo Tomás de Aquino, no De Modo Studendi (Sobre o modo de estudar) diz:

[…] tale a me tibi super hoc traditur consilium: ut per rivulos et non statim in mare, eligas introire, quia per facilia ad difficilia oportet devenire.

[…] devo dar-te a seguinte indicação: deves optar pelos riachos e não por entrar imediatamente no mar, pois o difícil deve ser atingido a partir do fácil.

O conselho do doutor Angélico foi direcionado ao Irmão João por conta dos estudos, mas assim como os exemplos das grandes empresas, pode – e deve – servir para todo o conjunto da obra da vida.

Não adianta ter pressa e fazer tudo errado, levando nas coxas. É preciso ter paciência e acreditar que alguns empreendimentos demonstram seus resultados à longo prazo. Empreendimentos, pessoas e ideias.

Acho o conselho do santo de Aquino espetacular porque contrapõe de cheio nossa vontade de obter os resultados agora e nossa impaciência.

Compreender, portanto, que algumas respostas nos são dadas com algum tempo de espera é um exercício importante porque nos obriga, consciente ou inconscientemente estabelecer hábitos que nos auxiliarão na vida.

A metáfora do riacho e do mar é excelente pois mostra que uma pessoa precisa preparar-se segundo à sua realidade. Como que uma pessoa pode jogar-se de cabeça no mar sem antes ter tido suas experiências no pequeno lago, ou riacho? Não podemos pensar somente no efemeridade fugaz das aparências. Lembro-me que a primeira vez que fiz natação, senti-me desapontado: a tutora pôs-me na piscina das crianças e silenciosamente pensava: “eu posso mais que isso”. Quando o dia terminou e eu fui voltar para casa, pasmem: eu não conseguia nem mesmo subir no ônibus por causa do cansaço muscular.

Pessoas consideradas hoje “de sucesso” certamente passaram pela experiência do “fracasso” ontem; faz parte, é justo e necessário. Cada cada qual é protagonista de sua história e conhecendo-se a si mesmo, sabe que poderá chegar muito longe, mas isso só pode acontecer se ao cair, ter força e perseverança, e levantar-se quantas vezes forem necessárias.

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Liberte-se (Get free – Lana Del Rey)

Finalmente, estou atravessando o limite
Do mundo comum para a revelação do meu coração
Sem dúvida, isso certamente irá
Tirar os mortos do mar e a escuridão das artes

Este é o meu compromisso, meu manifesto moderno
Estou fazendo isso para todos nós que nunca tiveram a chance
Para… E para… (cale-se, cale-se)
E todos os meus pássaros do paraíso que nunca chegaram a voar à noite
Porque eles foram apanhados na dança

Às vezes, parece que tenho uma guerra na minha mente
Eu quero sair, mas eu continuo seguindo em frente
Eu nunca percebi realmente que eu tinha que decidir
Entre jogar o jogo de alguém ou viver minha própria vida
E agora eu percebi que vivo, eu quero mudar
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)

Finalmente, o pior já passou
Obstáculos dos caminhos da aglomeração de ser
Que vem de energias combinadas
Como se uma parte de mim, eu não estava discernindo
E você, como descobrimos, não estava com o juízo perfeito

Não há mais caça aos arco-íris
Nem esperança em seu fim
Seus arcos são ilusões, sólidos à primeira vista
Mas então você tenta tocá-los (toque, toque)
Não há nada para segurar (segure, segure)
As cores são usadas para atraí-lo (você, você)
E colocá-lo em transe (ah, ah, ah, sim)

Às vezes, parece que tenho uma guerra na minha mente
Eu quero sair, mas eu continuo seguindo em frente
Eu nunca percebi realmente que eu tinha que decidir
Entre jogar o jogo de alguém ou viver minha própria vida
E agora eu percebi, eu quero mudar
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)


Não é usual de minha parte postar letras de músicas. Mas eu gostei deveras dessa música e me identifiquei com a letra. Só eu?

De um sorriso saiu uma reflexão.

Nem sempre nós conseguimos entender o porquê de alguns gestos fazerem a diferença em nossas vidas. Decerto muitas coisas só fazem sentido para nós quando somos agentes ou pacientes; é muito difícil, por tanto, compreender ou sentir alguma coisa estando fora dela. Talvez por isso algumas frases causam impacto para alguns e causem indiferença para outros; ou, quem sabe, quando muito, outrem sintam uma leve empatia por alguém, alguma ocasião ou momento da vida. É uma experiência deveras subjetiva.

Todas as vezes que eu ouvia, por exemplo, que um sorriso pode mudar o dia de alguém, não pensava na aplicação prática e suas consequências no correr do dia, dos tempos. Tratava-se, em minha tão limitada opinião, de uma frase genérica e de sorrisos falsos e forçados. Mas isso dava-se por causa de tudo aquilo que eu via: caras fechadas, sorrisos falsos e satisfações forçadas. Infelizmente, até então, parecia-me mais pesaroso e certamente havia mais exemplos daquilo que mais pesava. E pesava.

Corre o tempo – e corre mesmo – e eu resolvi por em prática aquele (chato e velho) discurso de perspectiva, isto é: de qual ângulo e como eu estou olhando para tudo aquilo que me acontece? Por que motivo eu preciso dar mais atenção ao que me deixa pra baixo se existem fatos que me dão ânimo e vigor?

Existem pessoas rancorosas, rudes e mau educadas? Sim, elas existem aos montes; contudo, decerto que sim, existem também aquelas que são gentis, corteses, educadas e sinceras.

Depois de uns dias cheios e seus problemas, muito obrigado à cobradora de ônibus que deu-me um sorriso encantador e sinceramente desejou-me uma boa tarde.

Olhe, portanto, para os sorrisos e não para os rostos arrogantes e soberbos.
E adeus.

À vida.

À vida, que é um espetáculo de reveses e superações, atribui-se o título de “caixinha de surpresas”. O que esse título tem de clichê ele tem de verdadeiro; isso tudo porque as certezas são poucas e os “e se” são infindáveis, infinitos – pelo menos enquanto houver vida – assim como são infinitas as possibilidades.

Depois de perceber o grito feroz da realidade e notar uma boca calada e um olhar atento ao teto, do grito feroz fez-se um sussurro impiedoso: “Por que tu vives?” Pois é, a contemplação de outrem gerou em mim questionamentos; afinal, como poderia eu saber o que pensava a dona do atento olhar?

A mim causa mais inquietação o sentido da caminhada e não a distância dela, à pessoa que admirava o teto, no entanto, não sei quais devaneios executava. Talvez aqueles que correm ou caminham ávidos concordem comigo. Talvez. Livre-me Deus e livre a ti, caro leitor, uma caminhada sem meta; uma meta sem sentido.

O filósofo antigo¹ afirmou que a virtude está no meio e se o finado Cubas² advertia sobre o perigo de uma ideia fixa eu, eu mesmo, sem o peso e a moral que ele dispõe – ou dispunha, não sei – digo: cuidado também com a volatilidade das coisas, das ideias e das paixões. Nem oito; nem oitenta. Pra quem está perdido qualquer lugar serve. E pra quem quer se encontrar?

¹ Aristóteles
² Brás Cubas, do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis.

Analogias.

Gosto de analogias.

Penso que explicar a vida como uma construção de castelos de cartas é interessante, pois ambos requerem alguma – ou muita – paciência, dedicação e tempo. A vida é realmente um sopro; como um sopro a vida passou, acabou; com um sopro alguém pode derrubar seu castelo, mas é você quem decide se as cartas permanecem no chão ou não.

E por falar em chão…

Alguns tombos, por mais sofridos e dolorosos que sejam, são verdadeiramente inevitáveis, mas você pode aprender muito com isso e é uma atitude inteligente fazê-lo. Ao tomar a atitude do difícil e necessário aprendizado, você percebe que ao reerguer-se, poderá, ajudado pela experiência, escolher com sabedoria o terreno no qual construirá seu castelo e saberá qual estrada seguir.

Sim. É preciso recomeçar.

Ao reiniciar sua construção, você empreende mais forças e estratégias na base, pois apreende que uma boa sustentação é fundamental. Ter fundamentos é importante.

As experiências melhoram nossa visão de tudo.

Por fim, o seu castelo pode não ficar perfeito ou com magnífica e exuberante simetria, mas você o conclui – ou tenta concluí-lo – com duas certezas:

1- uma obra pode  ser incrivelmente boa, mas de quando em quando precisa de um retoque, uma reforma; sendo assim, a conclusão total pode nunca chegar, uma vez que a evolução exige dinâmica;

2- estou fazendo o melhor que eu posso e não o melhor para os outros. Nossas réguas são diferentes e o que daqui for fruto, foi obra de verdadeiro esforço e dedicação.

É isto!
E adeus.

Avante.

Quando criança, ouvira falar da história de um homem que tirara seu coração porque era de mais pra ele suportar os altos e baixos da vida, os reveses da caminhada e as desventuras da lida. Atitude estranha e um tanto quanto desesperada, não é? Quisera o homem não ter um coração; mas sim uma pedra e tão logo deixar de sofrer as intempéries da vida ou as consequências que elas produzem.

O engraçado é que ao tirar seu coração e por outra coisa frígida e inflexível, o homem deixara também de sofrer as influências das coisas boas que a vida oferecia. Mas é este o ponto que também fizera pensar o desesperado: bons sentimentos também produzem responsabilidades e o amor, ah, o amor! O amor também vem com uma surra de sentimentos na bagagem; pequenos sacrifícios caminham de mãos dadas com o amor.

Corre o tempo e as coisas mudam. Algumas progridem e outras não; sempre me dizia a vovó que no tempo dela as ruas eram mais seguras e as vilas mais pacatas; os transeuntes tinham acesso livre aos lugares e as pessoas podiam, imagine só, deitarem-se em suas varandas e ao lado de seus amados, amigos e familiares curtirem a vivacidade silenciosa da noite enluarada.
Digo isso porque preocupar-se com alguém que se ama gasta mais energia do que odiar alguém que te odeia; na verdade, penso eu, só perde tempo e energia odiando, aquele que não sabe amar, mas o assunto não é esse. Voltemos. Já se sabe que todo mundo tem total liberdade, mas como dizer isso a um coração que ama? Não é afirmar que quem ama prende, mas que se preocupa. Muito pelo contrário: quem ama deixa livre. Mas como eu disse, tem muita coisa no pacote e a preocupação é uma dessas coisas.

A partir disso, torna-se um pouco mais fácil compreender a preocupação dos pais para com os filhos. Para muitas pessoas pode ser difícil incutir na cabeça e no coração que seus filhos tem a total liberdade de trilharem seus caminhos e realizarem suas escolhas, como eles também fizeram há algum tempo. Pode ser difícil ficar com o coração tranquilo ao permitir que seus entes queridos e próximos sigam seus caminhos e passem por todas as provações e reveses possíveis e  imagináveis.

Fato é que a realidade sendo cruel ou não, todas as pessoas precisam passar por suas experiências, pois as melhores professoras sempre serão as experiências e não os conselhos. Feliz é quem escuta os conselhos, porém é mais bem formado e mais forte que vive suas experiências e aprende que a vida é linda, bela e maravilhosa; mas o que ela tem de incrível, ela tem de desafiadora.

Coragem. Avante. A caminhada começou agora. Ou você põe uma pedra no lugar do coração e ou se veste de disposição e vai.

Preparado? Se o estiver tem algo errado.
Realidade.
E adeus.

Seja grato. Gratidão para pessoas boas ou para se que sejam boas.

Depois de tanto ouvir por aí algumas vezes  que a minha educação depende da sua, e chegar à conclusão que e a asserção é uma inverdade, pus-me a pensar sobre a arte de ser grato; arte porque bem mais do que um sentimento que deve brotar do coração, há de ser também prática e disposição, escolha e perseverança.

Se você já fez uma gentileza a alguém e recebeu de volta um sorriso lindo e um agradecimento, certamente sentiu-se muito feliz. Mas quando, a resposta, porventura foi indiferença, grosseria e ingratidão, qual foi o sentimento?

Ao deparar-se com situações adversas, nós começamos a pensar sobre muitas coisas, inclusive sobre nossas motivações e o porquê de realizarmos muitas ações. Talvez muitos dos que passem por situações de grosseria e ingratidão são tentados a pensar no porquê de insistir na cortesia, boa educação e cordialidade quando muitos não o fazem, ou de ímpeto querer devolver com igual grosseria e ingratidão. Quando essa vontade aparecer, lembre-se: você é melhor que isso.

Não é por que todo mundo faz algo que você deve fazer também. Às pessoas, complicados seres pensantes, talvez nunca seja muito fácil associar a harmonia de pensamentos e ideias, e isso é interessante, pois instiga ao exercício de pensar, refletir e deliberar. No entanto, acredita-se que as variadas culturas possuem formas igualmente variadas de condutas éticas e morais. O que é deveras ordinário no Oriente pode não sê-lo no Ocidente, por exemplo. Contudo, a multiformidade de práticas e culturas não deve ser bode expiatório para a prática desenfreada e inconsequente de tudo quanto me aprouver. Sempre há aqueles que destoam do comum e o fazem com orgulho, não há problema. Isso tudo foi para pensarmos que nem sempre as mudanças são melhorias.

Num primeiro momento, gostaria de enfatizar que a cordialidade é indispensável. Decerto não somos capazes de conhecer tudo de todo mundo, logo algumas limitações também estão escondidas. É interessante ter empatia e pensar: se isso fosse comigo? Nem todo mundo, por exemplo, é bom na cozinha ou nos serviços mecânicos, ou seja lá no que for; mas aquilo que aparentemente não está muito bom pode, quem sabe, ser a melhor produção de alguém. Ou também pode ser um dia não tão bom, quem sabe. A cozinheira que está muito acostumada com seu modus operandi pode “errar a mão” uma vez ou outra. Compreensão é importante, por que mostra que temos consciência que todos podem errar, que nem sempre é um bom dia para fazer algo.

Não saiu tão bom quanto você esperava? Seja grato mesmo assim, pois isso pode ter sido fruto de boas e muitas tentativas, e trabalho árduo.

Depois, cabe lembrar que não podemo esperar nada em troca. É maravilhoso receber um sorriso e um obrigado, mas a motivação primeira não deve ser um sistema de recompensas. Admiro deveras os milhares de anônimos que são gratos e fazem suas boas ações do silêncio desinteressado da gentileza.