Ansiedade: torne-a sua amiga.

Nem todo mundo entende que ansiedade é algo real e que faz parte da vida de muita gente. Para muitos é frescura, maneira infantil de chamar atenção e etc. Incautos são. Em dois mil de dezesseis precisei ir ao médico por causa de uma crise profunda de ansiedade. A partir de então comecei uma jornada de autoconhecimento e maneiras de estar bem comigo mesmo.

É claro que o que escrevo aqui é fruto de uma experiência pessoal, portanto sei que nem sempre é fácil por em prática os muitos conselhos daqueles que por nós se interessam. Mas vamos la!

A primeira coisa a se fazer é aceitar o fato e não aumentá-lo. Digo isso porque acredito que a ansiedade pode ser a porta de entrada para outros sentimentos piores. É preciso, acima de tudo, ater-se à realidade.

Aceitar o fato quer dizer reconhecer sua fragilidade e não ter vergonha dela, mas sim procurar ajuda e querer superá-la. Querer como escolha, não como sentimento; estes, são tão voláteis que chegam a ser traiçoeiros, por isso é importante decidir-se levantar e querer como escolha, com disciplina e força de vontade.

Num primeiro momento eu precisei de ajuda medicamentosa e fui fiel ao tratamento. Ajudou-me deveras, ajudou a tranquilizar e recuperar o sono e noites bem dormidas, mas conforme orientação médica, parei de tomar os remédios depois de certo tempo. Creio que os remédios são realmente eficientes, o problema – pelo menos pra mim – foi saber a hora de parar. Tornar-se dependente é tão perigoso quanto.

Aprendi a ficar sem os remédios num domingo à noite, quando fui atacado por um flanelinha sob efeito de drogas. Tinha acabado de chegar de um evento religioso com um grupo de amigos e eu precisava entrar no escritório para guardar uns livros e eu disse aos amigos: “Vão na frente que eu vou guardar isso aqui e encontro vocês lá na lanchonete.” Ao sair, a rua estava escura e o flanelinha veio e agarrou-me pelo braço – não quero alongar a publicação com os detalhes da intimidação -,  depois de conseguir soltar-me dele saí correndo, chegando lá os sintomas da primeira crise voltaram com força: rosto formigando, dificuldade ao falar, hiperventilação e contração dos músculos. Foi aí que eu descobri a minha primeira grande aliada: respiração controlada.

Sem os remédios, fui ao banheiro do estabelecimento e lá mesmo precisei me acalmar. Como o fiz? Respirando corretamente. Demorou um pouco, mas foi minha salvação.

Pode ser um pouco chato no começo, mas respirar tranquila e adequadamente ajuda muito. Depois de vinte e três anos de existência, descobri que a minha respiração estava errada. Puxar o ar pelas narinas e soltá-lo devagar pela boca é um santo remédio! Isso porque a respiração profunda é boa para todo o corpo, inclusive na beleza dele. Além de aliviar estresse e ansiedade, ajuda no metabolismo, melhora a qualidade do sono, elimina radicais livres e dá, literalmente, um ar novo em você.

Além disso, no cotidiano, busquei tarefas alternativas para me ajudar a conviver mais tranquilamente com a minha mais nova amiga: ansiedade. Ouvir música, ler alguma coisa, fazer exercícios físicos e cognitivos, tudo isso ajuda muito. Quando eu descobri que poderia usar toda agitação que a ansiedade me proporciona para produzir algo, minha vida melhorou. Tentei buscar uma maneira de descarregá-la nas atividades corriqueiras. Um misto de exercícios (físicos e cognitivos), atividades que eu gosto e pequenas metas me ajudaram muito.

Espero que isso te ajude.

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Publicado por

apreciadordasletras

Estudo, leio, escrevo, amo, existo.

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