Atendimento ao público.

Todas as vezes que vamos a algum lugar esperamos que, no mínimo, sejamos bem atendidos. O problema é que nem sempre é assim e não tem jeito: o contentamento é realmente descontente.

Não importa o lugar: seja de manhã cedo na padaria; ao meio dia no restaurante, ou à noite, no barzinho da Zona Sul, nós queremos sempre um bom atendimento.

Cada lugar, é verdade, carrega sua práxis e identidade. O bom atendente deve ser sensível às necessidades do cliente e deve tratá-lo com empatia e cordialidade. As necessidades do paciente de uma clínica particular é deveras diferente da necessidade do freguês da padaria do “seu Manuel”. Todavia, mesmo com premências diferentes, ambos têm uma vontade comum: saírem dos estabelecimentos plenamente satisfeitos.

Para alguns pode soar como óbvio, mas não custa salientar que todos quantos desempenham funções pertinentes ao atendimento ao público devem receber o devido treinamento e estarem dispostos a realizá-los bem, garantindo, pelo menos, um serviço adequado.

A empatia, conhecida por muitos como ética da reciprocidade ou regra de ouro é importante porque ao imaginar-se no lugar das pessoas que atendemos, tomamos conhecimento de quanto um bom serviço marca positivamente e fideliza.

Só está bem por fora quem está bem por dentro. O primeiro passo para transmitir uma boa imagem é cuidar bem dela. Física e mentalmente, pois tanto um quanto o outro se complementam. Faz-se necessário, portanto, ter hábitos de higiene, vestir-se conforme o dress code da organização, praticar exercícios e afins, pois eles aumentam (e muito) a disposição. Além do mais, cuidar também do fator cognitivo, atualizar-se sempre profissional e academicamente.

Quando houver um problema, não focar nele, mas nas possíveis soluções. Focar no problema é estagnar-se; procurar soluções é movimentar-se e por si só dinamizar.

Os clientes devem receber total atenção. Logo, em sua presença, há que se evitar conversas paralelas com outros colaboradores, além de brincadeiras que podem soar como inconvenientes.

Agora é só começar e oferecer um serviço de excelência aos clientes, ter uma boa comunicação com a organização e seus representantes e vestir um belo sorriso atravessar o expediente.

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A militância digital.

Para início de conversa, segundo o Dicionário Michaelis, um militante é aquele “que milita, que está em exercício”, que é “agressivamente ativo por uma causa”.

Desde as eleições, nós pudemos observar a polarização ideológica dos eleitores: a tenaz guerra entre os “direitistas” e “esquerdistas”. As muitas maneiras de discussão são inventivas e nem sempre honestas, pois muitas vezes são pautadas em falácias e mentiras.

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Imagem: Superinteressante

Antes de continuar, porém, é conveniente e também salutar explicar que todos têm a liberdade de seguirem as doutrinas que lhe aprouverem e disporem de convicções que quiserem, pois são todos livres; é um direito previsto em constituição. Não obstante, a discussão –– tal como deve ser ––  é uma grande e valiosa fonte de aprendizado.

Dito isto, é fácil perceber que o atrito que existe entre os opostos gera, como disse antes, o aprendizado. Há um ditado antigo que diz: se todos pensam igual, alguém não está pensando. Grosso modo, quando alguém diz que os salários devem ser iguais, independente do cargo, função e profissão ou quando outrem afirma que, conforme o mérito, dedicação, esforço e qualificação o salário pode e deve mudar, há uma divergência muito grande e daí se pode ponderar aquilo que se julga ser o melhor. Cada um tem o direito de crer que uma ou outra possibilidade é a melhor. Entretanto, nesse –– e noutros casos –– faz-se necessário observar e perceber que além da pessoalidade de opiniões, há uma relação com o externo ao subjetivo: o outro.

Dou esse exemplo para tentar entrar no assunto que tematiza e titula essa publicação: o uso das mídias digitais na expressão de opinião. Em minha conta pessoal no twitter consigo perceber não somente uma discussão de ideias e termos (e isso é muito bom que exista), mas percebo também uma rixa totalmente infantilista, onde a discussão sensata, embasada em fontes concretas e confiáveis, bases fundamentais e fatos se esvaiu e em seu lugar, surgiram cantilenas insuportáveis, altercações pueris e alvos pessoais. A grande maioria da discussão se baseia em ad hominem. Isso mesmo, os fatos foram postos de lado porque o foco gira in persona.

Não se engane: essa militância exageradamente fanática não é privilégio do meio cibernético; é antes, um reflexo que espelha a realidade da práxis que é de muitos o café da manhã.

 

Sobre o modo de estudar – De Modo Studendi

Estudo Introdutório

Jean Lauand
(Estudo introdutório e tradução)

(Orig. publ.: “Cadernos de História e Filosofia
da Educação” EDF-FEUSP, vol. II, No.3, 1994)

1. O De modo studendi de Tomás.

De modo studendi é uma carta de autoria de Tomás de Aquino [1] , aconselhando sobre o modo de estudar. Tomás dava muita importância à correspondência. Victor White observa que não é raro que Tomás deixe de lado seu trabalho em obras maiores para elaborar respostas a cartas, especialmente de seus irmãos dominicanos [2] .

O destinatário da carta De modo studendi, um tal “irmão João”, é um dominicano jovem [3] , iniciando seus estudos, e afoito por mergulhar no “oceano da sabedoria”, resolveu escrever ao mestre consumado, perguntando sobre atalhos.

Tomás, que – no Comentário à Ética de Aristóteles – afirma ser o tempo o grande colaborador (bonus cooperator), começa por responder ao impaciente Frei João que não há atalhos, mas caminhos: pelos riachos é que se chega ao mar e o “difícil deve ser atingido a partir do fácil” (DMS, intr.).

Já no início da carta, Tomás, referindo-se à tarefa de obter o conhecimento, emprega sugestivamente o gerúndio – acquirendo, adquirindo – como que a indicar que a formação intelectual é mais um contínuo processo do que pacífica posse decorrente de uma ação que se perfaz de uma vez. Significativo, nesse sentido, é o uso do verbo incedere, caminhar, marchar. Com efeito, já na primeira questão da Summa, referindo-se à busca pela razão humana da verdade mais elevada, Tomás diz que “só poucos, depois de muito tempo e com mistura de muitos erros, podem chegar”. O tempo é bonus cooperator, o grande aliado de quem almeja o “tesouro do conhecimento” (DMS, intr.).

De modo studendi é um espelho em que se reflete uma concepção de educação totalmente diferente da que prevalece em nosso tempo. Se um grande educador de hoje fosse consultado sobre “o modo de estudar” ou sobre como “adquirir conhecimentos”, certamente sua reposta dirigir-se-ia a questões técnicas, programático-curriculares, motivacionais…: o conhecimento é, para nós, compartimentado, separado da existência. Já Tomás, que pensa no saber como algo integrado à existência, ante as mesmas perguntas, aconselha “sobre como deve ser tua vida” (DMS, intr.).

Se o objetivo da escola, hoje, é formar o bom profissional, ou, quando muito, “educar para a cidadania” ou formar para uma análise crítica do mundo; os conselhos de Tomás, no século XIII, incidem sobre a própria estrutura nuclear íntima do ser humano.

2. A educação para a sabedoria.

Assim, já na primeira questão da Suma Teológica, ao procurar caracterizar o que é a sabedoria, Tomás explica que a sabedoria não deve ser entendida somente como conhecimento que advém do frio estudo, mas como um saber que se experimenta e saboreia. Tomás, sempre muito atento aos fenômenos da linguagem, à fala do povo, como fonte de profundas descobertas filosóficas, encanta-se com o fato – para ele experiência pessoal vivida – de que em sua língua latina sapere signifique tanto “saber” como “saborear”. Esta coincidência de significados na linguagem do povo – Tomás bem o “sabe” – não é casual: se há quem saiba porque estudou, verdadeiramente sábio, porém, é aquele que sabe porque saboreou…

Se a sabedoria não pressupõe só uma dimensão intelectual, mas está integrada ao todo da existência, não é de estranhar, que, dentre os conselhos dados por Tomás sobre o modo de estudar, encontremos a exortação ao silêncio, à vida de oração, à amabilidade, à humildade, à pureza de consciência, à santidade…

Nesse sentido, deve-se observar também que o alcance semântico da própria palavra studium em latim é muito mais abrangente do que a nossa estudoStudium significa amor, afeição, devotamento, a atitude de quem se aplica a algo porque ama e, não por acaso, esse vocábulo acabou especializando-se em dedicação aos estudos. Assim, o próprio título do opúsculo de Tomás Sobre o modo de estudar, sugere algo assim como: Sobre o modo de aplicar-se amorosamente…

E, na verdade, o que Tomás propõe é nada menos do que uma dedicação integral, uma consagração à vida intelectual. Um estilo de vida muito exigente, que supõe uma ascese de relacionamento do homem com Deus (cfr. p. ex. DMS, 3), com os outros (cfr. p. ex. DMS, 5) e consigo mesmo (cfr. p. ex. DMS, 12).

Na visão compartimentada do conhecimento que temos hoje, esperamos que nosso aluno demonstre teoremas, calcule empuxos, balanceie equações químicas, escreva redações sugestivas e conjugue corretamente os verbos; o que ele é enquanto homem, isto é lá com ele… Já para Tomás, como se vê no De modo studendi, alguém dedicado ao estudo deve, antes de mais nada, cuidar das atitudes da alma.

3. O silêncio como pressuposto da vida intelectual.

Talvez não haja nada mais oposto ao espírito de nosso tempo do que os conselhos de Tomás que recomendam o cultivo do silêncio. E, no entanto, trata-se, como explica, um dos principais filósofos da educação contemporâneos, Josef Pieper (Viver do Silêncio), de uma das regras fundamentais da vida intelectual e da vida do espírito.

4. A descoberta da realidade como objetivo da vida intelectual.

No que se refere à vida intelectual, Tomás afirma a existência de uma ordo, de uma dinâmica própria do conhecimento, daí que o Aquinate freqüentemente compare o sábio ao arquiteto. Certamente, essa ordo exige uma ordenação do próprio objeto de estudo: do mais fácil para o mais difícil; do riacho para o alto mar. Mas a aquisição do tesouro do saber exigirá também uma ordenação interior do sujeito que estuda. A essa ordo interius referem-se os conselhos do De modo studendi. Afinal, o conhecimento da realidade é, para Tomás, o objetivo da educação, e mais, a própria realização do homem.

DE MODO STUDENDI

Quia quaesisti a me, in Christo mihi charissime frater Joannes, quomodo oportet incedere in thesauro scientiae acquirendo, tale a me tibi super hoc traditur consilium: ut per rivulos et non statim in mare, eligas introire, quia per facilia ad difficilia oportet devenire. Huiusmodi est ergo monitio mea de vita tua:

1. Tardiloquum te esse iubeo, et tarde ad locutorium accedentem.

2. Conscientiae puritatem amplecti.

3. Orationi vacari non desinas.

4. Cellam frequenter diligas, si vis in cellam vinariam introduci ( [4] ).

5. Omnibus amabilem te exhibeas, vel exhibere studeas, sed nemini familiarem te multum ostendas; quia nimia familiaritas parit contemptum et retardationis materiam a studio subministrat.

6. Et de factis et verbis saecularium nullatenus te intromittas.

7. Discursum super omnia fugias.

8. Sanctorum et proborum virorum imitari vestigia non omittas.

9. Non respicias a quo, sed quod sane dicatur memoriae recommenda.

10. Ea quae legis fac ut intelligas, de dubiis te certificans.

11. Et quidquid poteris, in armariolo mentis reponere satage sicut cupiens vas implere.

12. Altiora ne te quaeras.

13. Illius beati Dominici sequere vestigia, qui frondes, flores et fructus, utiles ac mirabiles, in vinea Domini Sabaoth, dum vitam comitem habuit, protulit ac produxit.

Haec si sectatus fueris, ad id attingere poteris, quidquid affectas.

Vale.

SOBRE O MODO DE ESTUDAR

Tomás de Aquino

Já que me pediste, frei João – irmão, para mim, caríssimo em Cristo -, que te indicasse o modo como se deve proceder para ir adquirindo o tesouro do conhecimento, devo dar-te a seguinte indicação: deves optar pelos riachos e não por entrar imediatamente no mar, pois o difícil deve ser atingido a partir do fácil. E, assim, eis o que te aconselho sobre como deve ser tua vida:

1. Exorto-te a ser tardo para falar e lento para ir ao locutório.

2. Abraça a pureza de consciência.

3. Não deixes de aplicar-te à oração.

4. Ama freqüentar tua cela, se queres ser conduzido à adega do vinho da sabedoria.

5. Mostra-te amável com todos, ou, pelo menos, esforça-te nesse sentido; mas, com ninguém permitas excesso de familiaridades, pois a excessiva familiaridade produz o desprezo e suscita ocasiões de atraso no estudo.

6. Não te metas em questões e ditos mundanos.

7. Evita, sobretudo, a dispersão intelectual.

8. Não descuides do seguimento do exemplo dos homens santos e honrados.

9. Não atentes a quem disse, mas ao que é dito com razão e isto, confia-o à memória.

10. Faz por entender o que lês e por certificar-te do que for duvidoso.

11. Esforça-te por abastecer o depósito de tua mente, como quem anseia por encher o máximo possível um cântaro.

12. Não busques o que está acima de teu alcance.

13. Segue as pegadas daquele santo Domingos que, enquanto teve vida, produziu folhas, flores e frutos na vinha do Senhor dos exércitos.

Se seguires estes conselhos, poderás atingir o que queres.

Saudações.


Fonte: http://www.hottopos.com/mp3/de_modo_studendi.htm

( [1] ) Martin Grabmann – em seu Die Werke des Hl. Thomas von Aquin, Münster, Verlag der Aschendorffschen Verlagsbuchhandlung, 2a. ed., 1931, p. 372-373 – considera o De modo studendi um opúsculo autêntico. Contra as reservas (embora mínimas) que Mandonnet guarda a propósito da autoria do De modo studendi – incluído por ele entre os vix dubia de Tomás, Opusculum XLIV, opúsculos de que dificilmente se pode duvidar de que o autor seja o Aquinate (S. Thomae Aquinatis: Opuscula Omnia cura et studio R.P. Petri Mandonnet, vol. IV Paris, Lethielleux, 1927) -, Victor White, em seu How to study, 2a. ed., Oxford, Blackfriars, 1949, aponta razões intrínsecas que confirmam a tese da autenticidade desse opúsculo. Para a tradução, valemo-nos do texto latino apresentado por White.

 

( [2] ) Como é o caso de sua carta Resposta a Seis Questões do Ir. Gerardo de Soissons: “Embora esteja muito ocupado em diversos assuntos, cuidei de responder logo que me foi possível, para não desatender a vosso pedido”. E o mesmo diz a um importuno veneziano que escreveu uma carta dirigindo-lhe 36 questões exigindo, como ironicamente frisa Tomás, “resposta em quatro dias”.

 

( [3] ) White observa que S. Tomás, seguindo o uso do século XIII, sempre se vale do tratamento “vós” para superiores ou iguais; nesta carta, porém, emprega o “tu”.

 

( [4] ) Citação implícita da Bíblia: “Introduxit me in cellam vinariam” Cant. 2, 4.

Por que quereis começar por cima? As grandes empresas, Santo Tomás de Aquino e a natação.

O que tantos e tantas puderam, por que não eu? – Santo Agostinho de Hipona

Para início de conversa, gostaria de mostrar a vocês uma imagem que certamente servirá de inspiração e motivação. Trata-se do início de grandes (grandes mesmo) empresas, negócios, empreendimentos. Vejamos:

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https://me.me/i/apple-google-amazon-grandesnegocios-comecaram-pequenos-harley-disney-mattel-grandes-11621271

Os exemplos da imagem acima tratam-se de empresas, mas eles podem ser associados a todos os âmbitos da vida.

A hodierna sociedade é marcada pela instantaneidade do aqui e agora. As facilidades são incontáveis e a pressa é a grande mestra regente dos grupos sociais. Alguns ditados, de tão clichês são quase insuportáveis, mas temos que concordar com o antigo bordão: “a pressa é inimiga da perfeição”.

Santo Tomás de Aquino, no De Modo Studendi (Sobre o modo de estudar) diz:

[…] tale a me tibi super hoc traditur consilium: ut per rivulos et non statim in mare, eligas introire, quia per facilia ad difficilia oportet devenire.

[…] devo dar-te a seguinte indicação: deves optar pelos riachos e não por entrar imediatamente no mar, pois o difícil deve ser atingido a partir do fácil.

O conselho do doutor Angélico foi direcionado ao Irmão João por conta dos estudos, mas assim como os exemplos das grandes empresas, pode – e deve – servir para todo o conjunto da obra da vida.

Não adianta ter pressa e fazer tudo errado, levando nas coxas. É preciso ter paciência e acreditar que alguns empreendimentos demonstram seus resultados à longo prazo. Empreendimentos, pessoas e ideias.

Acho o conselho do santo de Aquino espetacular porque contrapõe de cheio nossa vontade de obter os resultados agora e nossa impaciência.

Compreender, portanto, que algumas respostas nos são dadas com algum tempo de espera é um exercício importante porque nos obriga, consciente ou inconscientemente estabelecer hábitos que nos auxiliarão na vida.

A metáfora do riacho e do mar é excelente pois mostra que uma pessoa precisa preparar-se segundo à sua realidade. Como que uma pessoa pode jogar-se de cabeça no mar sem antes ter tido suas experiências no pequeno lago, ou riacho? Não podemos pensar somente no efemeridade fugaz das aparências. Lembro-me que a primeira vez que fiz natação, senti-me desapontado: a tutora pôs-me na piscina das crianças e silenciosamente pensava: “eu posso mais que isso”. Quando o dia terminou e eu fui voltar para casa, pasmem: eu não conseguia nem mesmo subir no ônibus por causa do cansaço muscular.

Pessoas consideradas hoje “de sucesso” certamente passaram pela experiência do “fracasso” ontem; faz parte, é justo e necessário. Cada cada qual é protagonista de sua história e conhecendo-se a si mesmo, sabe que poderá chegar muito longe, mas isso só pode acontecer se ao cair, ter força e perseverança, e levantar-se quantas vezes forem necessárias.

Liberte-se (Get free – Lana Del Rey)

Finalmente, estou atravessando o limite
Do mundo comum para a revelação do meu coração
Sem dúvida, isso certamente irá
Tirar os mortos do mar e a escuridão das artes

Este é o meu compromisso, meu manifesto moderno
Estou fazendo isso para todos nós que nunca tiveram a chance
Para… E para… (cale-se, cale-se)
E todos os meus pássaros do paraíso que nunca chegaram a voar à noite
Porque eles foram apanhados na dança

Às vezes, parece que tenho uma guerra na minha mente
Eu quero sair, mas eu continuo seguindo em frente
Eu nunca percebi realmente que eu tinha que decidir
Entre jogar o jogo de alguém ou viver minha própria vida
E agora eu percebi que vivo, eu quero mudar
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)

Finalmente, o pior já passou
Obstáculos dos caminhos da aglomeração de ser
Que vem de energias combinadas
Como se uma parte de mim, eu não estava discernindo
E você, como descobrimos, não estava com o juízo perfeito

Não há mais caça aos arco-íris
Nem esperança em seu fim
Seus arcos são ilusões, sólidos à primeira vista
Mas então você tenta tocá-los (toque, toque)
Não há nada para segurar (segure, segure)
As cores são usadas para atraí-lo (você, você)
E colocá-lo em transe (ah, ah, ah, sim)

Às vezes, parece que tenho uma guerra na minha mente
Eu quero sair, mas eu continuo seguindo em frente
Eu nunca percebi realmente que eu tinha que decidir
Entre jogar o jogo de alguém ou viver minha própria vida
E agora eu percebi, eu quero mudar
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)
Fora da escuridão (fora da escuridão)
Em direção ao azul (em direção ao azul)


Não é usual de minha parte postar letras de músicas. Mas eu gostei deveras dessa música e me identifiquei com a letra. Só eu?

O rio.

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia
uma volta atrás da casa.
Passou o homem e disse Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia a volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.

Manuel de Barros, O livro das ignorãças. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1993. p. 27.